05/05/10

Menstrual animation...

Video animado sobre a menstruação, no seguimento do artigo "Aqueles dias do Mês..."

Espero que gostem :D

UES

Sandra Monteiro

Aqueles dias do Mês...







Pois é, espera-se que aconteça. E, quando o dia chega, apesar de estarmos “preparadas”, é sempre uma surpresa… A menstruação, o período, e um aspecto importante da vida feminina e sentida de forma diferente por cada mulher: contentes, orgulhosas, deprimidas,ou, nada de especial,:D! Depende da tua personalidade e do modo como já estás preparada para a situação! É algo perfeitamente natural e deve ser encarado como tal.
De qualquer forma, aqui vai uma explicação mais séria do “assunto”:
Na maior parte dos animais, há uma estação para a fecundidade, o Outono ou a Primavera. Na mulher, essa estação repete-se sem constantemente, segundo um ritmo que é muito próprio de cada uma. Desde o nascimento, os ovários de uma rapariga tê 300 000 a 400 000 óvulos não desenvolvidos. Apenas 400 a 500 serão libertados (pouquitos), durante a vida de uma mulher…Os ovários ficam em repouso até à puberdade até que as hormonas sexuais (que baralham o sistema todo) põem em funcionamento o “ciclo menstrual”. A partir desse momento, todos os meses, um óvulo amadurece num dos dois ovários, e, ao mesmo tempo o útero prepara-se para uma possível gravidez.
O ciclo menstrual é então o tempo que decorre desde que se inicia uma menstruação (denominando-se o primeiro dia em que ela aparece como sendo o dia 1 do ciclo), até ao dia anterior ao aparecimento da menstruação seguinte. Não se deve confundir o ciclo menstrual, que dura em média 28 dias, mas que pode variar bastante de mulher para mulher, com o período menstrual, que é a altura do ciclo em que aparece o fluxo da menstruação e que dura, em média, de 3 a 5 dias.
A menarca (1ª menstruação) não aparece ao mesmo tempo em todas as raparigas, (porque obviamente, cada uma tem o seu ritmo de desenvolvimento). Embora o mais frequente seja o período aparecer pela primeira vez entre os 11 e os 13 anos, pode acontecer que em algumas jovens surja antes ou depois desta idade, sem que isso represente qualquer coisa de anormal.
Assim sendo, o ciclo feminino divide-se em 2 partes muito diferentes. A primeira parte, entre o primeiro dia do período e a ovulação, corresponde a um tempo de preparação em que o organismo se prepara para a fecundidade. Este tempo varia, ao contrário do que muitas mulheres pensam. Há uma hormona especialmente fabricada e libertada pelo ovário: é estrogénio, também chamada hormona da feminilidade. Com efeito, sob a influência desta hormona, a mulher é muito feminina e o seu organismo embeleza-se para acolher ou atrair aquele que a ama. Na segunda parte, depois da ovulação, outra hormona é fabricada: a progesterona ou hormona da gestação, ou seja, da maternidade. Esta hormona vai presidir à ovulação da gravidez, caso ela venha a acontecer. No caso do óvulo não ser fecundado, ou de o embrião não ser viável, o corpo amarelo desaparece e os níveis de estrogenéos e de progesterona descem subitamente, provocando o desagregar do revestimento interno do útero e a sua saída para o exterior: é a menstruação. Na imagem que se segue podes ver fases do ciclo de fertilidade da mulher.
É perfeitamente normal que os primeiros ciclos ocorram de forma irregular e mesmo depois de o período começar a aparecer mais regular, é provável que, situações de ansiedade, de nervosismo, como testes ou exames, uma alimentação incorrecta com súbita perda de peso, um treino desportivo mais intenso, uma viagem ou mudança de clima, possam afectá-los.
Há ainda outros sintomas que podem aparecer, o chamado síndroma pré-menstrual ou a vulgarizada TPM: alguns estudos referem que cerca de 25 por cento das mulheres sofre de sintomas pré-mentruais moderados a intensos, entre eles estão por exemplo, o cansaço,inchaço e rigidez nos seios, retenção de líquidos, falta de concentração, aumento da sensibilidade emocional, menor paciência, dores de cabeça e no baixo ventre, entre outros. De qualquer forma, se a tua tensão pré-menstrual não for tão grave a ponto de necessitares de intervenção médica, um estilo de vida mais saudável pode ajudar-te:
Pratica exercício físico, dorme as horas de sono necessárias, escolhe uma alimentação saudável, não fumes, ingere quantidades adequadas de vitaminas e minerais (como a vitamina D, cálcio e ácido fólico), tenta ainda encontrar formas de controlar os teus níveis de stress. Vais ver que ajuda!!

Beijocas,

Unidade de Educação Sexual
Sandra Monteiro

04/05/10

População de Ourém - pelo Curso Profissional de Técnico de Gestão

A população do Concelho de Ourém desde 2001, tem evoluído positivamente tendo aumentado de 46216 para 50890 residentes em 2008, prevendo-se que chegue aos 50958 em 2010.

Gráfico 1 – Fonte INE



Gráfico 2 – Fonte INE

Em 2008, a faixa etária dos 0 aos 14 anos representava quase 20% da população residente e dos 25 aos 64 anos cerca de 53%, o que poderá ser um indicativo para o aumento de população pois esta classe abrange um vasto conjunto de mulheres em idade fértil. No entanto estimativas apontam para um decréscimo da população residente até 2030, podendo chegar o Concelho de Ourém a ter 49006 habitantes residentes.

Gráfico 3 – Fonte INE

Pelo gráfico anterior, podemos observar que a estrutura relativamente ao género da população em idade activa é muito próxima, destacando-se apenas o género feminino na classe superior aos 64 anos. A classe mais representativa é dos 25 aos 64 anos, que coincide com a faixa etária da população que mais representa a classe trabalhadora ou mão-de-obra mais activa.


Trabalho realizado pelos alunos do Curso Profissional de Técnico de Gestão, ano de 2010, como tratamento de dados recolhidos e analisados no Congresso de Ourém – Um Olhar para o Futuro. (Fontes: INE;DGI;IEFP)
Este foi o segundo tema a ser desenvolvido pelos alunos, desta vez olhando para estrutura da população residente no Concelho
Como prometido, voltaremos com mais dados sobre a situação social e económica do nosso Concelho….


03/05/10

Essências de Sentir

Tenho para mim que a memória tem tendência a registar de modo indelével aquilo que emocionalmente nos perturba: ou porque nos agrada sobremaneira ou, inversamente, porque de algum modo nos incomoda.
Os factos ou acontecimentos que consideramos anódinos, frívolos, banais, tornam-se apenas registos provisórios que, por não suscitarem emoções dignas de registo, rapidamente se desvanecem.
Na minha perspectiva, a memória recorre a um mecanismo próprio de "guardar só o que é bom de guardar", accionado e condicionado, talvez, pelos sinais enviados pelas emoções de cada um, podendo o "bom" ser entendido de duas maneiras distintas: bom, porque nos suscita sensações agradáveis, ou bom, porque poderá ser conveniente guardar, mesmo que essa memória pouco ou nada tenha de agradável.
E assim aconteceria com as muitas vivências que já tivemos, e que vamos tendo, sempre reguladas pelas emoções que a memória de cada um de nós privilegia.
Parece-me, portanto, possível que a memória de emoções feita – ou a ausência dela – condicione também os gestos e as palavras, de afecto ou de recusa, que cada um de nós exprime ou, simplesmente, acaba por calar.
Momentos há em que os gestos e as palavras que inventamos se quedam no espaço do indizível. Por receio de assistirmos à sua recusa? Por adivinharmos no outro a incapacidade de os receber? Por acharmos não ser esse o momento mais propício à oferta?
Será que por vezes calamos os gestos e as palavras para que não se sobreponham a outros gestos e palavras que preservamos na memória e não suportaríamos ver alterados?
Sei que há gestos e palavras que, ansiosamente, antecipamos e que nunca nos serão ofertados. Será por isso que preferimos calar os nossos, afundando no silêncio as mágoas, frustrações ou invejas?
Que emoções nos devolve a memória no instante em que cerramos os punhos e assistimos, quedos e mudos, ao naufrágio dos gestos e palavras que inventámos?

G.Rocha

02/05/10

À MINHA MÃE... e a todas as mães do mundo!


Para Sempre


Por que Deus permite
que as mães se vão embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'



Obrigado por tudo, mãe!
Com saudade,

Guida

01/05/10

Ser Professor

“Ser professor é alimentar-se do conhecimento
e fazer de si mesmo, uma janela aberta para o outro.
Ser professor é conhecer os limites do outro…
E, ainda assim, acreditar que ele seja capaz.
Ser professor é também reconhecer que
todos os dias são feitos para aprender...
Sempre um pouco mais...”

Ninguém nasce professor, é necessário aprender a sê-lo. Exige muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, dedicação e mesmo muito altruísmo.

Um professor tem que aprender o que ensina e o modo de ensinar e, ainda assim, um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o ser aluno de si próprio, de estar sempre atento, actualizado, ter os pés bem colocados no presente e os olhos bem focados no futuro. Ser professor é uma obra inacabada. É um depósito onde cabe sempre mais alguma coisa, aprendendo todos os dias.
Ser professor obriga a não ter geração (durante quatro décadas de carreira).

Esta é uma profissão em que se trabalha na escola, em casa, aos sábados, domingos, feriados e madrugada adentro!
É uma profissão que não permite situações do género: hoje preciso de sair meia hora mais cedo, ou o "volto já" justificando a porta fechada. É uma profissão que não se comove com noites mal dormidas, indisposições várias (físicas e psíquicas) ou problemas pessoais. É uma profissão em que, de aula em aula, se tem de repetir o mesmo processo, exigente e desgastante, "conquistando" várias vezes ao longo do dia, um novo grupo de alunos e todos ao mesmo tempo. É uma profissão em que é preciso ter sempre a energia suficiente para, em cada turma, manter a disciplina e o interesse, gerir conflitos, cumprir programas, promover a atenção, a concentração, a motivação e o rendimento.
É uma profissão em que sofremos, ainda, a angústia do nosso próprio desempenho pelo insucesso dos alunos, e que muitas das vezes depende de factores que muitas vezes não controlamos.
É uma profissão de enorme desgaste!

E é, infelizmente, uma profissão que deixou de ser acarinhada ou considerada, e muitas vezes enxovalhada, atacada e desvalorizada.

Ser professor é uma bênção, é um forte orgulho. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Ser professor, e assim o sinto, é uma tarefa de grande nobreza, dignidade e de uma enorme responsabilidade na formação moral, intelectual, cultural e cívica de um jovem.
Ser professor é também ter condições humanas para estar à altura de merecer o respeito e consideração da sociedade. O professor é formador, psicólogo, um amigo e por vezes, faz o papel de pai /mãe de muitos jovens mal acarinhados, sem ambiente familiar e necessitando de apoio.
Não haverá por vezes alguma ingratidão na forma como o professor é encarado? A sociedade precisa que os professores sejam heróis para que assegurem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; que sejam santos para que nunca faltem, mesmo quando doentes; que se revelem sensíveis, para que garantam as funções assistenciais e se substituam à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantenham abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais (mesmo as mais ilógicas).

Mas o gozo e a satisfação em ensinar, ou melhor, ajudar a aprender; a satisfação em mais do que educar para uma profissão, educar para a vida; o sentir-me parte de muitas vidas que acompanhei, que estimei e que sinto saudade… Sim, posso afirmá-lo: gosto mesmo de ser professora!

E ainda mais: o professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina).

A todos os meus colegas.

Fátima Lucas

"Os Maias", Eça de Queirós


A história de uma família portuguesa, em finais do século XIX, tornou-se uma das obras mais consagradas a nível mundial. Do punho de Eça de Queirós, numa escrita realista que apontava todos os "podres" dos protagonistas, seguimos os Maias. Nas figuras do patriarca Afonso, do traído Pedro e do diletante Carlos apresentam-se três gerações de uma família de elevado estatuto nas lides lisboetas.
O palácio do Ramalhete, o Teatro da Trindade e Sintra são alguns dos palcos da acção. Nestes lugares desfilam personagens-tipo de um tempo "queirosiano": mulheres fatais, políticos corruptos, jovens utópicos que assumem um papel de mudança no futuro do país, para, no fim, nada terem feito.

O incesto também é um tema-chave do livro. O promissor Carlos, médico, de brilhante início de carreira, respeitado pelos seus pares, envolve-se com uma misteriosa dama casada. Depois de algumas peripécias (saber que Maria Eduarda afinal não era pertença de outro homem) e de, finalmente, poder viver livremente aquele amor tão "puro", Carlos da Maia vê o seu mundo ruir: ela era a sua irmã, levada de Portugal pela mãe, aquela Maria Monforte das histórias do avô, aquela que conduziu Pedro ao suicídio.
Eça de Queirós levou oito anos a compor esta saga familiar que, para lá das desventuras amorosas do membro mais novo (Carlos) e das tropelias do seu melhor amigo (João da Ega), também revela um Portugal de fim-de-Século muito contemporâneo. Toda uma sociedade foi alvo do olhar atento, irónico e muito mordaz de Eça. Política, cultura, costumes e rotinas, nada escapou neste grande clássico da literatura.


Fátima Lucas